
O Prêmio Jabuti de 2021 deu à obra “META: Depto. de Crimes Metalinguísticos” o primeiro lugar na categoria histórias em quadrinhos (HQ). De autoria de Marcelo Saravá, a HQ parte do assassinato de um desenhista, cujos principais suspeitos são os personagens criados por ele. Além de incentivar a leitura, o material pode ser usado por professores para trabalhar metalinguagem na escola. “São as crônicas de uma equipe secreta de polícia que investiga crimes da ‘quebra da quarta parede’(...) pode ser uma história infantil e, de repente, a princesa fala com o leitor, o espectador. Isso é quebrar a quarta parede”, explica Saravá. Na obra, há detetives que atuam nos quadrinhos, teatro, literatura, cinema e outras mídias narrativas, que quebram essa quarta parede e convidam o público a participar da solução dos mais estranhos casos. Em um exercício estilístico de narrar histórias sobre o ato de contar histórias, o entrevistado revela que se tornou quadrinista, motivado pela Turma da Mônica. “Uma das minhas primeiras inspirações como quadrinista foi Maurício de Sousa, especialmente em histórias do Louco com o Cebolinha, ou do Bidu com a Dona Pedra e o Bugu – trabalham muito metalinguagem, quebram muito a quarta parede, falam diretamente com o leitor”, observa. Ele, inclusive, também indica essas histórias para professores que querem mostrar exemplos de metalinguagem em sala de aula. No áudio, Saravá ainda dá dicas para jovens que tem o sonho de serem quadrinistas. “Publiquei pela internet pela primeira vez, em 2008 e, na época, eu não conhecia nenhum desenhista pra fazer projetos comigo. Então eu entrei no mundo dos quadrinhos pela porta dos fundos, fazendo tirinhas, sem desenho, que eu postava num fotolog”, lembra.