
O mundo e a realidade em que vivemos é dual, e tal faz parte do próprio desafio que é a dimensão e a natureza terrena. Esta dualidade, ao longo dos séculos e milénios em que vivemos na Terra, tem sido vivida em conflito, numa espécie de guerra constante entre um lado e o outro, entre o bem e o mal, entre a Luz e a Sombra. No entanto, o que a vida no planeta nos mostra é que, na verdade, Luz e Sombra são duas partes do mesmo, são duas parcelas essenciais da nossa presença e do nosso processo de evolução neste plano. Quando entramos em caminhos que chamamos de espirituais, somos muitas vezes levados a uma “ilusão de luz”, uma necessidade de sermos essa coisa que compreendemos e almejamos como luz, reflexos do nosso ego, dos medos que são inerentes à própria existência terrena. É preciso recordarmo-nos que, na verdade, somos Luz e Sombra, que sem uma não poderemos compreender e integrar a outra, que não podemos revelar a beleza do nosso Espírito, a Luz mais brilhante do nosso Eu, sem mergulhar no nosso Inferno interior e pessoal, nas nossas sombras mais densas e profundas, sem trazer os nossos monstros, demónios e medos ao de cima. Sem esta consciência continuamos na guerra constante em que temos vivido, continuamos a alimentar o ego mascarado de espiritualidade. Sem esta consciência continuamos a viver em medo, mesmo sem o perceber, pois não fazemos o verdadeiro e mais importante trabalho, o de integração constante, o verdadeiro caminho que viemos percorrer, o propósito do Alquimista que existe em cada um de nós. Este é o profundo tema que escolhi explorar neste segundo episódio do meu podcast.