
“Nós sempre existimos. Mesmo que nunca se fale de nós nos romances escritos por homens, que eles só consigam imaginar mulheres com as quais gostariam de transar. Nós sempre existimos — mas nunca falamos. Mesmo hoje, quando muitas mulheres publicam romances, raramente encontramos personagens femininas de aspecto físico desagradável ou medíocre, incapazes de amar os homens ou de serem amadas por eles. Muito pelo contrário, as heroínas contemporâneas amam os homens, os encontram com facilidade, transam com eles em dois capítulos, gozam em quatro linhas e adoram o sexo. Para mim, a figura da perdedora em matéria de feminilidade é mais que simpática — é essencial.” Este é um trecho do livro de Virginie Despentes, Teoria King Kong. Hoje eu trago pra essa conversa uma mulher inspiradora que traz, para além do picadeiro, o lugar da mulher dentro da palhaçaria e como ela é vista dentro da sociedade. Sem mais delongas, Rafaela Azevedo.