
Já não me sinto em casa nesse mundo, filme de 2017, disponível na Netflix, é uma comédia não convencional, com elementos de drama, piadas irregulares e violência desproporcional e quase acidental. Vamos conversar um pouco sobre seu roteiro. Conhecemos nossa protagonista Ruth em um momento particular de sua vida onde parece existir uma ausência de sentido para o que ela tem vivido e mais do que isso, ela com sua vida comum, parece deslocada da realidade em que se encontra. Como se suas preferencias, experiências, e sua própria existência fossem peculiares. Ao passo que o mundo ao seu redor parece completamente alheio a sua existência. E o filme começa assim, vamos acompanhando os pequenos acontecimentos da vida da Ruth, suas raivas diárias e suas parcas alegrias. Até que ao retornado do seu trabalho como auxiliar de enfermagem, encontra a sua casa revirada. Ocorrera uma invasão e além do seu laptop, a prataria que guardava como recordação de sua avó, havia sido extraviado. E aqui ocorre a transição da primeira para segunda fase do filme. Este roubo acaba funcionando como estopim para que a Ruth passe a ter atitude diante dos eventos de sua vida. E assim como ela é transformada, o roteiro também o é. Deixamos de ter uma aparente comédia simples, com piadas bem sorrateiras, e passamos a ter uma história mais dramática com eventos aleatórios e violentos. Eu diria que assume de vez a roupagem de um humor negro.