
Durante visita que fará a Portugal, em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não vai mais discursar na sessão solene do Parlamento em homenagem ao 25 de abril, data de celebração da Revolução dos Cravos. A data marca a revolução de 1974, que derrubou o regime ditatorial instaurado no país por Antonio Oliveira Salazar. O discurso de Lula no parlamento do país europeu chegou a ser anunciado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, João Gomes Cravinho. No entanto, um grupo de deputados que fazem oposição ao primeiro-ministro de Portugal, António Costa, disse que o parlamento foi desrespeitado com a medida. "Isto que estamos a tomar conhecimento constitui um atropelo inaceitável àquilo que é a própria instituição parlamentar. O senhor ministro dos Negócios Estrangeiros não está em sua casa. Esta é a casa da democracia, que tem procedimentos próprios", reclamou o deputado Rui Rocha, presidente do partido Iniciativa Liberal. Segundo ele, a presença de Lula na sessão da Assembleia da República deveria ser decidida pelo próprio parlamento. "É incompreensível que o ministro dos Negócios Estrangeiros apresente uma decisão que não foi partilhada com grupos parlamentares e com os deputados. Nem António Costa, nem o ministro, nem o governo, nem o PS [partido de Costa] são donos do parlamento", completou Rui Rocha.