
Poema na voz de Gérard Desarthe, do audiobook "Poésies - Arthur Rimbaud", editora Gallimard. A tradução de Faim, bem como o poema original, estão em "Uma temporada no inferno" (pgs. 72 e 73), publicado na série L&PM Pocket Plus. Dê play no podcast que está logo abaixo e acompanhe a tradução de Paulo Hecker Filho: Se tenho gosto, é quase só Pela terra e pelas pedras. Meu almoço é sempre o ar, A rocha, o carvão, o ferro. Minhas fomes girem, girem Atravessem os trigais, Atraiam o alegre veneno da flor-de-pau. Comam os seixos quebráveis, As velhas pedras da igreja, Os biscoitos dos naufrágios, Os pães jogados nas cinzas. O lobo uiva entre as folhagens Cuspindo as bonitas penas Da sua comida de aves: Como ele me consumo. As saladas ou os frutos Só esperam a colheita; Mas a aranha do valado Não come senão violetas. Que eu durma! Que eu ferva nos altares de Salomão. O caldo escorre na ferrugem e se mistura ao Cedrom. Enfim, ó ventura, ó razão, descartava do céu o azul que pende ao negro e vivi, centelha de ouro da luz natureza. De alegria, assumia uma expressão no possível bufa e diferente: Foi enfim achada. Quê? a eternidade. É o mar Ao sol. Minha alma eterna, Mantém tua promessa Apesar da noite Ou do dia em fogo. Assim te libertas De humanas querelas E impulsos comuns! Voarás por ti... - Nada de esperanças Nem de recomeço. Ciência e paciência, O suplício é certo. Fim das manhãs, Brasas de cetim. É o teu fervor Que está o dever. Foi enfim achada! Quê? A eternidade. É o mar Ao sol.