
I trago-lhe boas notícias finalmente será demolida a parede e instalarão para mim uma janela nem posso acreditar depois do tanto que insisti agora verei a ponte agora verei o caminho que fizeste ao fugir fernando a vida é terrível mas disseram-me que às vezes se descansa eu daqui mal posso esperar II fernando chegou até mim a informação de que você está decepcionado com minha excursão pela poesia pois segundo consta você considera meus materiais muito ruins e segundo consta pela manuela você disse que eu destinaria pouco ou nada ao mistério e que segundo consta por quem não digo você considera minha poesia imprestável pois fernando me poupe foi você quem não soube me reconhecer quando eu era o puro mistério inteira misteriosa foi tu sim foi você não me venha com esses arrependimentos serei poeta acostume-se III não te esquece hora alguma fernando que estamos em terra invadida pisas em ossos e sangue de gente minha fernando não te esquece hora alguma que foram os teus quem te trouxeram aqui eu nada tenho a ver com isso só estou fernando pegando o que é meu e o desejo de te ver morto fernando é só o início de uma nova ordem da visão IV era então isso o que querias me dizer ao ouvido fernando a cantiga de morrer como um homem viver como um homem querer amá-lo num mesmo gesto desejar e desconfiar de tudo o que leva consigo um nome sei que me enxergas fernando no entanto sei que não me vês V esse é um exercício de morte e vida esse é um exercício de nascimento dentro e fora do encerramento um exercício de furar o tempo esse é um exercício de imaginar-me sem o desgaste de ter que me explicar porque eu fernando na verdade como já sabes sou essa crueza tanto de perto como de longe VI não serei bonita há tantas coisas por fazer