
O conto Bobok (1873), de Fiódor Dostoiévski (1821-1881) tem fantasia e filosofia. O texto pertence ao gênero da sátira menipeia, combinando elementos de ficção fantástica e crítica social/filosófica. A Sátira Menipeia é uma tradição literária greco-romana retomada pelo autor, caracterizada pelo riso ácido, pela quebra de hierarquias, pela liberdade de tom e pela exposição das vísceras morais da sociedade. É exatamente o que acontece na história, que se passa num cemitério onde os mortos voltam à vida e começam a dialogar entre si, sem escrúpulos e colocando em questionando hierarquias que valiam em vida. O colóquio é espiado por um jornalista, nosso narrador, que como escritor decadente e sem ideias, vai a um enterro de um parente distante, escapa do Réquiem e senta-se sobre uma lápide. Ali da sepultura, num misto de descanso, sono e delírio, passa a escutar os diálogos de pessoas recém-falecidas que continuam conscientes nos túmulos por alguns meses. O conto traz marcas profundas do estilo Dostoiévski, como os conceitos de Dialogismo, o Tom Carnavalesco e Polifônico. Sem qualquer pudor e já sem medo de perder a vida, portanto, sem o sentido da existência moral, os mortos conversam sem pudor, revelando suas vaidades, mesquinharias e podridões da vida terrena, transformando o cemitério em um reflexo satírico e grotesco da burguesia e dos intelectuais da época. Boa leitura! ✅ Torne-se MEMBRO do CLUBE LEITURA de OUVIDO: encontros virtuais mensais, com notas de rodapé ao vivo e interação entre os leitores e Daiana Pasquim. Para isso, faça um apoio a partir de R$ 20 mensais:👍 Chave PIX:leituradeouvido@gmail.com Ou pelo financiamento coletivo: https://apoia.se/leituradeouvido Se você é escritor(a) e gostaria de comissionar um episódio produzido por nós, escreva para leituradeouvido@gmail.com 📞 Entre em contato: leituradeouvido@gmail.com Direção e narração:@daianapasquim Direção, edição, trilha de abertura e arte de capa:@lplucas Uma produção:@rockastudios Padrinho:@miltonhatoum_oficial