
Publicado originalmente em 20/03/2020 Nessa edição, entrevistamos Rosalia Lemos, professora e ativista do feminismo negro sobre a relação do movimento com a cultura do samba, em especial o Carnaval do Rio de Janeiro no Sambódromo. Rosalia foi uma das intelectuais e artistas negras convidadas para desfilar na última ala da Viradouro que com o enredo em homenagem às Ganhadeiras do Itapuã da Bahia, levou o bicampeonato para Niterói após a vitória em 1997. As Ganhadeiras eras mulheres negras, escravas e libertas, que entre os séculos XVII e XIX, realizavam diversos serviços ao redor da lagoa de Abaeté, como lavagem de roupas e venda de peixes e quitutes. Algumas das que estavam escravizadas até conseguiam juntar o dinheiro para sua alforria. Hoje suas descendentes mantém o legado cultural ao cantarem os sambas de roda que elas compuseram na época durante os serviços. Em 2014, inclusive, as remanescentes lançaram um disco belíssimo, que pode ser escutado integralmente no YouTube. Na conversa com o jornalista Rudá Lemos, Rosalia falou da emoção do desfile e fez um retrospecto da persistente luta pela superação do racismo e do machismo e de como isso atravessa as manifestações culturais e artísticas do Brasil. Apoie a mídia independente: https://apoia.se/linhasdefuga