
Andando pelas ruas de um passado que não me pertence mais, notei a desimportância de tudo aquilo que deixei para trás, uma concatenação de histórias poluía a minha cabeça sofrimentos sem sentido dispostos numa cadeia, como o amargo de se ressentir por não aproveitar um dia bonito numa cidade feia, mas naquele tempo ainda me faltavam algumas peças para fechar o quebra-cabeça, eu não podia saber, mas para que eu nunca me esqueça, quando ando por essas vielas presto muita atenção, desapego do visco das feias e me orgulho da rejeição das belas, pois ao menos coragem pude ter e mostrei o meu tesão Não são os fantasmas do passado que me assombram, é como se eu fosse um fantasma do presente, um vivo a caminhar no mundo dos mortos, os conhecidos me olham com espanto e os desconhecidos me dão olhares sem encanto, são narcisistas de rostos tortos, gente que está na miséria e nem sente, vidas inócuas que se alambram Eu queria não ter mais que voltar, abandonar de vez esse emaranhado de faltas e cumplicidades, viver uma vida só de sonhos e vantagens, queria demais poder carregar todas as doçuras dessa terra para longe dessa gente que não se consterna, para morarem junto de mim, perto do mar Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.