
Hoje estudaremos um pouco da poesia de Tomás Antonio Gonzaga. Plenamente inserida na estética do arcadismo, nela encontramos as tópicas (=lugares comuns) desse programa estético: "fugere urbem" (fuga da cidade; elogio do campo e da vida pastoril); "aurea mediocritas" (equilíbrio mediano na ética e na estética); "inutilia truncat" (sintaxe e estilo simples, cortando o inútil); "carpe diem" (viver o presente); "locus amoenus" (elogio da natureza em seu aspecto mais terno, suave e ameno). Suas liras foram musicadas a partir de finais do século XVIII, tornando-se grande sucesso nos salões das primeiras décadas do século XIX. Com seu torneado musical e uso de refrões, o estilo poético de Tomás Antonio atraiu a atenção de músicos não apenas em sua época, como também depois. Em finais do século XX, a pesquisadora e musicista Ana Maria Kieffer e o grupo Musikantiga fizeram uma reconstituição verdadeiramente arqueológica dos poemas de Gonzaga que foram musicados e circularam nos salões do século XIX. A gravação foi feita em um salão de um prédio da época (e não em estúdio, com a intenção de imitar a ambiência e as condições acústicas originais de recepção) e com instrumentos de época. Pode ser ouvida aqui: https://www.youtube.com/watch?v=-XTOMXVKEdA Mais recentemente, o instrumentista e cantor mineiro Rudi Vilela também gravou o repertório de Gonzaga.