
A grana corrompe. A fé de quem não ama. O que não seja a si mesmo. Assim mesmo. A fama. Mata corações. Fabrica ilusões e impede um qualquer de ganhar do próprio espelho. Para enxergar o outro que desmonta tua alegria. Que lambe tua cara e escancara toda a tua hipocrisia. De joelhos. Pé na porta que te prende. Da culpa que a vida não deixa de lado e que o filho às vezes nem sabe que aprende. Repete o modelo. Desespero. Pega os moleques gritando no corre. É mais um que morre. Fechou o sinal. Ainda bem que já foram então tudo bem, tia. Vida que segue. Dia normal vai ficando de boa. A mãe ja falou que tu é sangue bom. Que trata ela bem, que sabe das coisas. Que é boa patroa. Contou do tamanho do teu coração e que é uma honra pra ela limpar o teu chão. E no vazio da alma. Essa dor que nem dói. Na vida irreal. Corrói em silêncio abrindo um buraco de enterrar sonhos. Sonhos. De quem? Juízo final. Filhos. De quem? Da mãe porque o pai nunca viu. Cemitério dos fracos. Órfãos e heróis. Teu nome é favela. Graffiti de craque. Barraco de ouro. Da casa amarela que chega na lua. Na espera de achar a resposta pra aquilo é impossível descer que nem tu subiu. Chegar no asfalto e sentir que saiu. Esquecer tuas marcas de sangue e fuzil. Não tem. Providência que salve do choro. Acorda. Levanta. O sobe e desce do morro te cobra aquilo que a vida te brinda de sobra. Na outra batalha. Choro profundo que trouxe a carranca da dor do que sabe que deixa pra trás toda desigualdade. Isso aqui não é filme. É realidade. Isso não é novela. Na hora que bate a real do que vive o trabalhador que batalha no asfalto a vida da favela. Menino sem dente da luta sorriso no rosto de papo pro ar. Me pede uma foto me canta uma letra ensinando a sorte e chinelo virado de costas pro azar. Valongo. Vai longe. Sem arrastar. Cultura que traz a alegria pro morro de braços abertos pra perto dos seus. Da mãe orgulhosa transbordando amor. Do filho que não perdeu. Olha que lindo olha ele que foda. Ele é preto de fé. Não me olhe na pele. Me olhe no olho que não incomoda. Minha cor não espera que a Alma revele o segredo guardado. Esse Deus favelado. Deixado de lado. No seu Livramento. Chamando esperança tomando cachaça, derruba pro santo que a dor é de graça. Ainda dá tempo. Levanta esse povo que nunca se cansa. Aponta pra cima. Pra dentro. Do peito. E corre, mano. Abre o caminho. Que o chão te escorrega mas você não está sozinho. Nem eu. Olha a crianças. Elas estão sorrindo. Com toda a certeza, Ele não se esqueceu.