
Salvador caiu na cidade num dia pleno de Primavera. Trazia coração de Inverno. De mochila às costas, magra como ele. Aquele sol viu-o como um vislumbre promissor. Sorriu, há tanto que não sorria, e se eu apanhasse um raio deste sol. E caminhava para lado algum, trauteando aquela canção tão bonita que tinha escutado há pouco no comboio que ali o trouxe, é a vida a escada sem corrimão (1). Era assim que a sua vida sempre tinha sido, sem corrimão. Não sonhava com um corrimão de muitos degraus, apenas dois ou três para aceder à dignidade da vida...