
# 165 - Meditações Marcus Aurelius - Livro X Parte 10/10 - Estoicismo 34. A quem foi preenchido pelos princípios verdadeiros, basta uma citação, ainda que curta ou corriqueira, para se recordar de que não se deve deixar dominar pela tristeza ou pelo medo. Por exemplo: Folhas, o vento as espalha pelo chão; O mesmo se dá com as gerações mortais... Seus filhos são como tais folhas [ao vento]. Igualmente são todas essas aclamações e aplausos que se pretendem sinceros ou, no sentido oposto, as zombarias ocultas. Como folhas [ao vento] também serão aqueles que celebrarão a sua glória póstuma. Ora, todas as folhas nascem na primavera, depois vem o vento e as leva embora, e logo a floresta as substitui por outras folhas. Assim são todas as coisas, como folhas passageiras; e, no entanto, você as evita ou deseja como se fossem eternas... Mais algumas estações, e cerrará os seus olhos. E aqueles que chorarem a sua morte também serão lamentados, ainda por outros, quando o vento os levar deste mundo. 35. O olho sadio deve ver tudo o que é visível, e não querer apenas o verde, como ocorre com o olho doente. O ouvido e o olfato sadios devem estar preparados para todos os sons e odores. O estômago sadio deve digerir bem todos os alimentos, assim como o moinho tritura os grãos que lhes são dados para moer. Da mesma forma, o pensamento sadio deve estar preparado para tudo o que se passa na vida. Aquele que diz: “Que meus filhos sobrevivam!” ou “Que todos louvem minhas ações!” se comporta como o olho que quer apenas o verde, ou os dentes que só aceitam mastigar o que for macio. 36. Ninguém é completamente afortunado na vida ao ponto de não ter, no momento da morte, ninguém que comemore tal passagem. Era sábio e virtuoso? Não faltará quem diga: “Afinal, vamos nos ver livres deste instrutor! Nunca foi severo conosco, mas, em seu íntimo, eu percebi que ele nunca gostou de nós”. Quanto a nós, quantos motivos existem para que muitos queiram se livrar de nossa presença! Na hora da morte poderá refletir acerca disso, e assim poderá se despedir deste mundo com mais facilidade, pensando: “Deixo uma vida na qual até mesmo os meus concidadãos, por quem tanto trabalhei, rezei e cuidei, chegam a ansiar pela minha ausência, esperando que dela possam tirar algum proveito”. Assim sendo, qual motivo me faz demorar mais tempo por aqui? No entanto, nem por isso você deve ser menos benevolente para com todos. Segundo a sua natureza, e se mostrando como alguém amável e amistoso, não passará a impressão de que foi como que arrancado da vida. Assim, despede- se dos que o cercam tão facilmente como a alma despede-se do corpo numa morte suave. Pois que, se foi a natureza que o uniu a eles, é a mesma natureza que agora os separa: “Meus caros amigos, os deixo sem revolta nem drama, mas antes de bom grado e tranquilo, já que é esta a vontade da natureza”. 37. Ante cada ação alheia, pratique o hábito de perguntar a si mesmo, sempre que for possível: “Qual a finalidade deste ato?” Mas comece por si mesmo, examine-se em primeiro lugar. 38. Lembre-se de que reside em seu interior o cordel que o move, tal qual um fantoche. Aí dentro está a voz que persuade, aí habita a vida, aí está o verdadeiro homem. Jamais o confunda com o invólucro que o reveste nem com os órgãos de que ele se serve. Os órgãos são como instrumentos, com a diferença de que foram dados pela própria natureza. Uma vez separados do princípio essencial que os anima, terão a mesma utilidade que uma lançadeira sem a sua tecelã, uma pena sem o escritor, ou um chicote sem o cocheiro. link tree leo simao https://linktr.ee/leosimao www.meditacaoestoica.com.br