
Poucos de nós nos consideramos filósofos. "Filosofia" costuma remeter a imagens de livros didáticos densos e discussões acadêmicas sem aplicação na vida real. Talvez possa ser divertido para catedráticos, mas seria certamente uma perda de tempo para o resto de nós. Este é um sentimento comum, até você conhecer o trabalho de Lucius Annaeus Sêneca, mais conhecido como “Sêneca o Jovem” ou simplesmente "Sêneca". Nascido em de 4 a.C. na atual Espanha e criado em Roma, Sêneca foi simultaneamente dramaturgo de sucesso, uma das pessoas mais ricas de Roma, estadista famoso e conselheiro do imperador. Ele teve que negociar, persuadir e planejar seu caminho pela vida. Ao invés de filosofar da segurança da cátedra de uma universidade, ele teve que lidar constantemente com pessoas não cooperativas e poderosas e enfrentar o desastre, o exílio, saúde frágil e a condenação à morte tanto por Calígula como por Nero (esse último com sucesso). Sêneca correu riscos e teve grandes feitos. Sua principal filosofia, o estoicismo, foi fundada em torno de 300 a.C. em Atenas e pode ser encarada como um sistema para prosperar em ambientes de alto estresse. Em seu núcleo, ensina como separar o que você pode controlar do que não pode e o treina para se concentrar exclusivamente no primeiro. O estoicismo foi projetado para os realizadores, e você estará bem acompanhado como estudante. Thomas Jefferson tinha Sêneca na mesa de cabeceira. Michel de Montaigne tinha uma citação de Epicteto esculpida no teto de sua casa para que ele a visse constantemente. Todos os anos, Bill Clinton lê Meditações de Marco Aurélio, que foi ao mesmo tempo um estoico, imperador e o homem mais poderoso do mundo. Mas longe de se limitar em superar o negativo, o estoicismo também pode ser usado para maximizar o positivo. A filosofia de Sêneca aborda a busca da felicidade, a preparação para a morte, as desilusões, a amizade e levanta uma das principais questões humanas: como conjugar qualidade de vida e tempo escasso. Leitores do século XXI serão surpreendidos por lições como: "A duração de minha vida não depende de mim. O que depende é que não percorra de forma pouco nobre as fases dessa vida; devo governá-la, e não por ela ser levado"; "Pobre não é o homem que tem pouco, mas o homem que anseia por mais”; “Qual é o limite adequado para a riqueza? É, primeiro, ter o que é necessário, e, segundo, ter o que é suficiente". Ou ainda: "Não deixemos nada para mais tarde. Acertemos nossas contas com a vida dia após dia".