
De José Joaquim Machado de Oliveira para a Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. O mar que se debate com o Cabo Frio, constantemente irritado, desfazendo-se em alterosas vagas, porque este imenso promontório, ouriçado de penedias, perturba o movimento regular das aguas no seu fluxo e refluxo, e retorce as correntes da monção; as ilhotas disseminadas pela vasta curvatura de 30 léguas de bojo, que se desenvolve entre esse cabo e as adjacências da Lagoa Feia e que são outros tantos escolhos que ameaçam de naufrágio a navios a acoutados por travessias que os surpreendem nesse trajeto; o fundo aparcelado de São Tomé, que se abre em flor e domina uma vasta extensão inçada de perigos para a navegação costeira, e que nem sempre pode ser evitado a tempo e o que é mais assustador, esse temível mar dos Abrolhos, que a inexperto náutico continuamente afigura que prestes roçará seu arquipélago, ainda quando para ali a de percorrer algumas dezenas de léguas; todos estes preconceitos e apreensões mal calculadas, que se apoderam do ânimo do navegante em navio que suga aqueles mares, o atarantam e amedrontam, e por isso a celeuma dos marítimos, que anuncia o aparecimento de terra em tal altura em que estão desde que a proam para a costa dessa província e encontram o leme as águas de bombordo; e então reluzem seu semblantes a animação pela ausência de perigo.