
Pode-se dizer, sem receio de exaggerar, que Victoria é uma cidade que renasce. Sem descer aos primeiros dias de sua vida, porque seria uma reconstituição difficil de se emprehender sem o auxilio dos archivos, sempre defeituosos, podemos recordar no emtanto a sua existencia ha uns quatro lustros atraz. Poucos se lembrarão, talvez, de que Victoria era um amontoado ate construcções antiquadas e feias, sem jardins, sem luz electrica, sem bondes, sem agua canalizada, sem exgottos, sem automoveis, sem nenhum dos requisitos imprescindiveis a um meio civilizado. Um theatro, feito de madeira, embora não fosse uma obra detestavel, recebia de vez em quando unta companhia de burletas... Quasi nenhum commercio, pouco adiantamento intellectual e nenhum intercambio de idéas, nenhum traço, emfim, das cidades bafejadas pelo progresso e pela vida. Veio, porém, o plano de erguer do marasmo a cidade de N. S. da Victoria, capital deste Estado pequeno e futuroso, e como por encanto, a cidade se viu possuidora de muitos melhoramentos que tanta falta lhe faziam. Mas, ainda assim, muita cousa, ficou por fazer, especialmente porque, ao lado dos grandes predios, de construccao moderna e imponente, ficaram os casebres ridiculos e as ruas continuaram, na sua maioria, estreitas e mal calcadas, sem um alinhamento obediente aos preceitos rigorosos da symetria. Comtudo, não era possivel prosseguir a obra iniciada. O interior reclamava a assistenein dos poderes publicos, porque não tinha estradas, nem recebera os beneficios tão prodigamente distribuidos á capital. SEGUE... Pesquisa, tradução, restauração, digitalização e transcrição: Fábio Pirajá.