
Vale do Rio Doce, O Vale da Promissão - Revista Manchete (1964). CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE FORJOU EM VERSOS BONITOS A PUJANCA DAQUELE QUADRILÁTERO DE FERRO. GRAÇA ARANHA DESCREVEU A REGIÃO COMO AUTÊNTICA CANAÁ. CECILIANO ALMEIDA CONTOU O FEITO DOS QUE POR LÁ PLANTARAM OS PRIMEIROS TRILHOS FERROVIÁRIOS. MAS os homens dotados da vocação de semeadores de cidades e de construtores de riquezas, ali fincaram os primeiros esteios do chamado "Rhur brasileiro". Aproveitaram suas montanhas de ferro e de manganês, suas jazidas de níquel e bauxita. Ergueram usinas siderúrgicas e indústrias de transformação. Trabalhando ao lado de emprêsas mistas e estatais, fizeram do vale do rio Doce a nova base da indústria pesada no Brasil. Mas foi o apóstolo Anchieta quem, praticamente, proclamou, séculos atrás, que o vale do rio Doce seria o Vale da Promissão. A região, descoberta em 1573 por Fernandes Tourinho, deve ao capixaba Marcos de Azeredo a revelação de sua potencialidade, em 1613. A coroa portuguêsa, entretanto, receando que o ouro e os diamantes de Minas Gerais escapassem ao contrôle fiscal e se escoassem por tão ampla área, impediu a povoação da grande bacia, fechando-a ao desenvolvimento. Assim, a região viu entrar o século vinte com a maioria de suas florestas ainda virgens e habitada por tribos indígenas, intercaladas com os povoados do baixo rio Doce.