
“Anular o destino”, expressão emprestada do filósofo americano Ralph W. Emerson e citada por Pacheco Pereira num artigo do Público de 24 de novembro de 2012, pareceu-nos especialmente adequada para título deste Colóquio, não como obrigação restrita aos intelectuais, mas como uma ação de cidadania global. Num contexto social e político particularmente difícil a arte surge de novo como meio de observação e interrogação privilegiado sobre o mundo, a exemplo do que tem acontecido em outros momentos críticos da história. Com a participação de alguns dos mais relevantes pensadores, investigadores e artistas da atualidade, neste colóquio será analisada e discutida a sempre renovada relação entre arte e política. O que pode a arte perante o mundo? E uma resposta possível para início de debate: "Eis os limites do que eu posso. O resto pertence-vos". (Jacques Rancière) PROGRAMA 14.30h – Painel: História: trauma e esquecimento moderado por António Guerreiro e David Santos. Oradores: José Pacheco Pereira, Irene Pimentel, Hugo Canoilas, Paulo Catrica e Pedro Barateiro 15.30h – Debate JOSÉ PACHECO PEREIRA IRENE PIMENTEL Doutorada em História Institucional e Política Contemporânea, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Elaborou diversos estudos sobre o Estado Novo, o período da II Guerra Mundial, a situação das mulheres e a polícia política durante a ditadura de Salazar e Caetano. É investigadora do Instituto de História Contemporânea, (FCSH da UNL), autora de vários livros de referência nas temáticas mencionadas e foi Prémio Pessoa em 2007. TÍTULO: Podem a Memória e a História anular o destino? SINOPSE: A História nunca se repete, no sentido de se apresentar exatamente da mesma forma como noutras épocas passadas, pois os eventos e acontecimentos estão sujeitos a vários fatores determinantes, em conjunções diversas, além de a cronologia, com os seus contextos específicos o impedir. Se isso fosse possível, poder-se-ia prever o futuro e influir sobre ele. Dito isto, é importante o conhecimento da História e uma das razões é que ela revela matrizes. Uma célebre frase diz que um povo sem história e sem memória está condenado repeti-lo, o que parece contradizer o que se disse acima. A História realiza um duplo trabalho de luto e de memória, sendo esta inseparável do esquecimento. Enquanto processo de conhecimento, a História possibilita uma libertação relativamente ao passado, deixando, porém, claro que este existiu. A História tem a dupla característica de ser um ato de sepultura, que, ao mesmo tempo nos alerta para as ações dos homens e mulheres do passado, para o que eles ainda têm para nos dizer e, na narração das suas vidas, nos indicam possibilidades futuramente realizáveis. HUGO CANOILAS Vive e trabalha em Viena, Áustria. Estudou Pintura na ESAD, Caldas da Rainha e concluiu o Mestrado na mesma área no Royal College of Arts em Londres. Tem vindo a desenvolver intervenções urbanas a título individual e coletivo que pretendem estabelecer uma relação horizontal com o espectador, donde se destacam os projetos Jornal Mural, Povo sem titulo ou Pássaros do Paraíso. A obra desenvolvida questiona noções de autoria e mercadoria. Hugo Canoilas tem exposto desde 2003 em Portugal e desde 2008 internacionalmente com destaque para Frankfurter Kunstverein, Centro de Arte Contemporáneo Huarte, KAAP – Utrecht, Galeria Quadrado Azul - Lisboa e Porto, Galeria Collicaliggregi – Catania, Nosbaum&Reding-Luxemburgo. ABC- Berlim e a XXX Bienal de São Paulo, em 2012, com um trabalho sobre os Bandeirantes, apresentado na Casa-Museu do Bandeirante em São Paulo. TÍTULO: Contra os artistas SINOPSE: No atual quadro, em que o ídolo trabalho entra na sua curva descendente, deixando um conjunto de homens-máquinas incapazes de viver, poderá a Arte inscrever no tecido cultural, uma forma de constituir um todo a partir de individualidades (para uma comunidade capaz de absorver as diferenças não negociáveis)? Poderá a arte finalmente interessar-se em devolver o seu “conhecimento técnico” novamente ao todo (às pessoas)? Poderemos aspirar a uma política do meio por oposição à política da finalidade que castiga as pessoas e o mundo? Evocações feitas a partir de uma leitura do Manifesto contra o trabalho do Grupo Krisis, do exemplo do movimento Provo na Holanda e do ensino holístico. PAULO CATRICA Estudou fotografia na Ar.Co (Lisboa,1985), licenciou-se em História na Universidade Lusíada (Lisboa, 1992), concluiu o mestrado em Imagem e Comunicação no Goldsmith’s College (Londres,1997) e o doutoramento em estudos de fotografia na Universidade de Westminster (Londres, 2011). É professor Adjunto na ESMAE/Instituto Politécnico do Porto, e colaborador regular na Escola das Artes da Universidade Católica do Porto.Tem participado em exposições individuais e coletivas em Portugal e no estrangeiro, destacam-se as mais recentes individuais na Galeria Carlos Carvalho, Lisboa (2011), no Mews Project, Londres (2011), no Museu EDP, Lisboa (2011) e na Circuit Gallery, Toronto (2010). Está representado em diversas coleções públicas e privadas. PEDRO BARATEIRO Vive e trabalha em Lisboa. Estudou na Escola MauMaus e tem o Mestrado de Belas Artes pela Malmö Art Academy, Suécia. Tem participado em diversas residências artísticas como o Palais de Tokyo, Paris, ou o ISCP- International Studio and Curatorial Program, NY. Tem efetuado diversas exposições individuais e coletivas em Portugal e no estrangeiro. Destacam-se as individuais no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto ou na Kunsthalle Basel, Suíça. Participou em exposições coletivas na 29ª Bienal de São Paulo (2008), na 16ª Bienal de Sidney (2008) ou na 5ª Bienal de Berlim (2008). O seu trabalho baseia-se no questionamento dos discursos da produção teórica, histórica e institucional das imagens, recorrendo por isso frequentemente a iconografia de arquivo. O seu trabalho está representado em diversas coleções públicas nacionais e estrangeiras.