
No episódio 292 do Sociedade em Foco, José Luiz Portella analisa como a radicalização eleitoral prejudica as relações sociais e o funcionamento das instituições. Segundo ele, a intolerância entre grupos políticos dificulta o diálogo entre familiares, amigos e até integrantes de um mesmo partido, além de estimular uma dinâmica em que a radicalização de um lado provoca a reação do outro. Esse cenário também compromete a formulação e a implementação de políticas públicas. A oposição tende a dificultar iniciativas do adversário, mesmo quando positivas, enquanto a polarização pode provocar a paralisação de projetos e o desgaste de medidas já implementadas. O especialista destaca ainda que mudanças constitucionais dependem de quórum qualificado no Congresso, o que limita a capacidade de aprovação de determinadas propostas. Por fim, Portella alerta que os principais prejudicados são os cidadãos, que podem deixar de receber políticas públicas eficazes ou sofrer os efeitos de medidas inadequadas. Para ele, a fragmentação política e as agressões durante o período eleitoral deixam ressentimentos que dificultam a reconstrução dos partidos e ampliam os riscos de um cenário de instabilidade social e política.