
As Mulheres do Curtume, que vêm aos poucos resgatando e revivendo a tradição de jogar versos, cantam versos tradicionais da comunidade. Sobre as rodas de verso: Jogar verso, como se diz no Vale do Jequitinhonha, é uma tradição da gente linda que vive nessa região tão isolada de Minas Gerais. Em festas e nos encontros das comunidades, as pessoas se juntam para cantar rodas de verso. Os versos também estão presentes durante o trabalho: na roça, no bordado, no tear... Os versos são compostos em quadrinhas. Cada quadrinha tem 4 versos, com 7 sílaba cada, sendo que a rima acontece na sílaba tônica das últimas palavras do 2˚ e do 4˚ versos. Fortalecimento da tradição: O batuque e a tradição de jogar verso vêm aos poucos perdendo sua força em toda a região do Vale do Jequitinhonha. A chegada dos telefones, trazendo a cultura de fora para dentro das comunidades, assim como as restrições impostas por algumas igrejas evangélicas são alguns dos fatores que contribuem para o enfraquecimento dessa tradição. Na comunidade rural do Curtume, onde moram 96 famílias, os batuques já não aconteciam. As mulheres, que estavam se encontrando e cantando pouco, andavam estristecidas. Desde 2015, a AJENAI iniciou um trabalho de fortalecimento dos vínculos e da cultura local, dentro do escopo do projeto Mulheres do Jequitinhonha. Uma vez por semana, as mulheres se reuniam e, juntas, foram aos poucos relembrando suas histórias e tradições. Assim, surgiu o grupo Bordadeiras do Curtume. As cerca de 30 mulheres se reúnem não apenas para bordar, mas também para cantar e dançar. Enquanto bordam, jogam versos, brincando umas com as outras. O convívio em alegria e a valorização da cultura própria ajudou muitas delas a superar desafios como depressão, síndrome do pânico, timidez excessiva etc. E, assim, jogar verso e batucar voltou a fazer parte do cotidiano do Curtume.