
Em seu último texto, "O homem Moisés e a religião monoteísta", Freud investiga e discute as origens e a história do judaísmo e de seu mestre, Moisés. É do encontro desse texto com o interesse pelo tema do estrangeiro que nasce a pesquisa de Eleonora Branco*, psicanalista e filósofa. O tema de seu estudo é de extrema relevância, em tempos em que os discursos totalitários têm crescido no Brasil e no mundo, reinvindicando uma "pureza" familiar, sexual, racial e um patriotismo que visa tamponar a divisão que é constitucional nos sujeitos. Nesta entrevista, Eleonora conta sobre seu processo de escrita e sobre sua contribuição para o resgate da importância das narrativas, em oposição ao apagamento das histórias dos povos e dos nomes; comenta sobre a pluralidade nas identificações e na sua própria formação como psicanalista, na qual o trabalho de desconstrução é protagonista. E, para finalizar, diz sobre o amor, o feminino como estrangeiro, e a localização da alteridade para o sujeito da psicanálise. No último bloco, o artista plástico e escritor Ivan Hegenberg**, inspirado e embasado na obra de Clarice Lispector, nos conta sobre a dialética do campo visual com a escrita, que produz impasses e abstrações para além das classificações convencionais, o que inaugura um lugar outro para o artista, de certa imprecisão, rica em elementos estéticos e em palavras. Hegenberg também fala do amor como uma potência capaz de produzir manifestações antagônicas. E, encerrando o programa, divide com o ouvinte as nuances de seu processo criativo e faz um breve relato dos seus livros. *Psicanalista, mestre em Filosofia pela PUC-SP, colaborou com a revista semanal Bcoolt por três anos, escrevendo sobre cinema, teatro, arte e literatura - interesses que atravessam seu ofício - fez parte do NUPAS, Núcleo de Psicanálise e Ação Social, coordenando intervenções com crianças na Escola Valentim Gentil, com adolescentes na Escola Martha Figueira Netto da Silva e com agentes de saúde e agentes comunitários do projeto "A gente na rua", na Instituição Bompar. Atua em clínica particular. **Nasceu em São Paulo em 1980. Publicou livros em que artes plásticas e literatura dialogam intimamente, tanto no campo da criação (como “Puro Enquanto”, de 2009, publicado com bolsa da Proac) como na teoria (“Clarice e as Fronteiras da Linguagem”, Ed. Benjamin, 2018, baseado em mestrado na USP). Recentemente vem desenvolvendo o que batizou de desinversos, composições em uma zona indefinida entre artes visuais e poesia. https://www.ihegen.com/