
Muito escutamos sobre como teatro e vida se misturam e quando pensamos nos teatros do real e suas diversas expressões como, por exemplo, o teatro documentário, essa questão fica ainda mais evidente. Afinal, a dramaturgia é construída no tensionamento entre o real e o ficcional que se desenvolve no processo de criação artística. A obra teatral a partir do real será, muitas vezes, um encontro entre o que artistas querem dizer sobre uma determinada história e a forma como o público se relaciona com ela. E para falar mais profundamente sobre aspectos que passam pelos processos criativos e teatralidades do real temos a alegria de conversar com duas mulheres que têm muito a partilhar sobre o tema: Janaína Leite e Talita Braga. Janaina Leite é atriz, diretora e dramaturgista. É uma das fundadoras do premiado Grupo XIX de Teatro de São Paulo e doutora pela Escola de Comunicação e Artes da USP. Em 2008 deu início a sua pesquisa sobre o documentário e o uso de material autobiográfico em cena, resultando em diversos espetáculos e no livro "Autoescrituras performativas: do diário à cena", publicado pela Editora Perspectiva. Talita Braga é atriz, professora de teatro e gestora cultural. Em 2010 fundou a Zula Cia de teatro e com ela segue contando histórias ao lado de outras tantas mulheres. Uma conversa mediada por Kelly Crifer que, a partir da rica trajetória dessas artistas, traz à tona questões éticas que envolvem o trabalho com conteúdo documental e autobiográfico, limites e riscos das artistas que optam por trabalhar nessa seara, desafios, tabus e preconceitos. Esse episódio do Podcast Mulheres Encenadoras conta com a apresentação de Raquel Castro; roteiro de Kelly Crifer, Michelle Sá e Raquel Castro; edição, masterização e vinheta de Debris Oliveira; produção e gestão de Luisa Monteiro; realização do Coletivo Mulheres Encenadoras e faz parte do projeto Mulheres Encenadoras em rede realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.