
Na edição de Cotidiano na Metrópole desta semana, o arquiteto e urbanista Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, comenta a situação dos entregadores de aplicativos que, no dia 1º de julho, realizaram uma série de manifestações em diferentes cidades brasileiras, reivindicando melhores condições de trabalho. Para o professor, durante a pandemia, os serviços prestados pelos entregadores foram ainda mais requisitados. Entretanto, a condição de trabalho desses profissionais continua “extremamente precária”. “O entregador de aplicativo é considerado um microempreendedor, então, ele não possui seguro trabalhista, Previdência nem nenhum tipo de garantia de renda”, esclarece Bonduki. Uma pesquisa realizada pela Aliança Bike, a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas, em 2019, revelou que a maioria dos entregadores que utiliza a bicicleta é morador de periferias; são negros, jovens de até 22 anos, que trabalham entre 9h e 10h por dia, todos os dias da semana, sem descanso. A média dos rendimentos é de menos de R$ 1 mil. “Um valor extremamente baixo para a condição de risco que esses trabalhadores passam”, pontua o professor. De acordo com Bonduki, lutar por direitos é necessário para evitar a precarização ainda maior das relações de trabalho dos entregadores. “E nós, que de alguma maneira nos beneficiamos desses serviços, temos que estar solidários aos entregadores”, finaliza.