O destino do Nazareno está marcado. Enquanto isso, no pátio, com a cabeça coberta por um capuz, um homem ronda inquieto. É Judas Iscariotes. Encostado no umbral da porta, testemunhou a última troca de palavras entre Jesus e Caifás. O que se seguiu logo depois, com o Nazareno sendo alvo de insultos e cusparadas, e os sacerdotes em tumulto, deixou-o profundamente perturbado. "Rabi, disseste que és o messias, por que não manifestas teu poder? Enquanto dizia isso, sentia crescer dentro de si a raiva e a aflição pelo que havia feito. Então Judas, que o entregara, vendo que Jesus fora condenado, sentiu remorsos e veio devolver aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos as trinta moedas de prata, dizendo: “Pequei, entregando um santo inocente”. Anás e Caifás o receberam com frieza e profundo desprezo. Os chefes dos sacerdotes, tomando as moedas disseram: “Não é lícito depositá-las no tesouro do Templo, porque se trata de preço de sangue”. Nesse meio tempo, Judas, depois de deixar o palácio, consegue uma corda forte e, saindo pela Porta dos Essênios, chega ao vale de Geena, que serve de depósito de lixo e onde os gases da putrefação ocasionalmente causam incêndios. Encontra uma figueira que parece estar pendurada em um pequeno penhasco e ali se enforca. O galho da árvore não era suficiente para suportar seu peso e suas convulsões. O galho se quebra e o corpo de Iscariotes cai se espatifando sobre as pedras. Por fim chegou a luz do dia, daquela sexta-feira, 7 de abril. Tudo está prestes a se cumprir. Naquela noite, uma mulher teve pesadelos. Seu nome era Claudia Procula, era a esposa de Pôncio Pilatos, conselheira de seu marido, o governador enviado por César àquela terra. Cláudia sonhou com Jesus de Nazaré e "viu" o mal que estava prestes a se voltar contra ele. Sussurrou algumas palavras no ouvido do marido quando ele saiu do quarto. Um centurião bateu à porta de madeira dos aposentos do governador: "Os sacerdotes estão vindo para trazer um homem, Jesus de Nazaré, para julgamento", disse-lhe o oficial. A notícia sobre o novo acusado que estava sendo trazido pelos sacerdotes o irritou muito. Então de Caifás conduziram Jesus ao pretório. Pilatos, então, saiu para fora ao encontro deles e disse: “Que acusação trazeis contra este homem?”. Responderam-lhe: “Se não fosse um malfeitor, não o entregaríamos a ti”. Falam os chefes dos sacerdotes: “Encontramos este homem subvertendo a nossa nação, impedindo que se paguem os impostos a César e pretendendo ser Cristo Rei”. Entendem imediatamente que o governador acha difícil acreditar nas acusações. O governador, tendo verificado que Jesus era galileu e, portanto, estava sob a autoridade do tetrarca da Galileia e da Pereia, transferiu-o a Herodes. Também o tetrarca está na cidade nos dias de Páscoa e fica em seu palácio aguarda o Nazareno sentado no salão mais suntuoso do palácio. Interrogou-o com muitas perguntas; ele, porém, nada lhe respondeu. A tensão aumenta ainda mais. Herodes, juntamente com a sua escolta, tratou-o com desprezo e escárnio; e, vestindo-o com uma veste brilhante, remeteu-o a Pilatos. Quando o Nazareno saiu da sala, Herodes se aproximou dele e, cheio de raiva pelo silêncio de seu interlocutor, sibilou: “Tu não te pareces nem um pouco com um rei! Em ti, vejo apenas um louco!".