
Texto de Giovanni Mesquita* Lá nos estertores do milênio passado, quando já quase acabava a era dos veros debates, “arrigorou-se” um tempo de palestras. Nossa, hoje, pobre capital viu os gigantes daqueles, e desses tempos, em carne, ossos e verbo. Vimos, ou perdemos, Saramago, Eric J. Hobsbawm, Marilena Chauí, Perry Anderson… Quase no “finzim” desse tempo, quando no horizonte já preteava o olho da gateada do fascismo, fui na UFRGS, costeado de compadre meu Knierim, acompanhar uma série de falas. Na época já estava um pouco cético quanto à sabedoria dos sábios. O lugar-comum teórico era mato, ou melhor, já era mato. Mas era trabalho e não prazer, e lá estava eu. A estudantada e professorada estavam de cola em pé. Era pura agitação para ver o grande teórico que vinha das “zorópias” para trazer-nos luzes. Assisti com parcimoniosa atenção o douto, não me fez luzir novas significâncias. Me pareceu que requentava ideias e as atava com mimosas neologísticas, que estavam em voga naquela quadra da redoma acadêmica. A minha isolada impressão era que chamava o preto de negro e o cinza de plúmbeo…. Fiquei lá a ouvi-lo com dificuldades devido aos fortes ruídos gerados pela estática dos meus pensamentos [...] O post A Cobra sem Memória: Mia Couto sobre a arte de lembrar apareceu primeiro em netmundi.org.