
A Ondina de Francisca Júlia por Gus Rente ao mar, que soluça e lambe a praia, a ondina, Solto, às brisas da noite, o áureo cabelo, nua, Pela praia passeia. A alvacenta neblina Tem reflexos de prata à refração da lua. Uma velha galeta encalhada, a bolina Rota, pompeia no ar a vela, que flutua. E, de onda em onda, o mar, soluçando em surdina, Empola-se espumante, à praia vem, recua... E, surgindo da treva, um monstro negro, fito O olhar na ondina, avança, embargando-lhe o passo... Ela tenta fugir, sufoca o choro, o grito... Mas o mar, que, espreitando-a, as ondas avoluma, Roja-se aos pés da ondina e esconde-a no regaço, Envolvendo-lhe o corpo em turbilhões de espuma. Edição por Felipe Xavier