
“Uma mulher alegre, cuidadosa com suas coisas. Mãe, avó, guerreira, eterna companheira. Uma mulher que acompanhou inúmeras vezes a luta pelo direito à moradia”. É assim que Charlene Cristiane Egídio descreve Gislene. Na madrugada de quinta-feira (10), a mulher morreu devido a um incêndio em sua casa. Segundo os moradores, a razão do incêndio foi uma rede elétrica improvisada. Gislene era moradora da Ocupação Rosa Leão, na região da Izidora, em Belo Horizonte. Charlene, que é coordenadora da ocupação, diz que a comunidade aguarda os resultados da perícia. Porém, acreditam que a morte está relacionada à irresponsabilidade e negligência do Estado. “Negam o direito à luz regularizada que, há 9 anos, buscamos com luta. Ninguém merece morrer carbonizada, ninguém merece viver sem uma luz segura, que traga cidadania e segurança para a moradia”, lamentou ao Brasil de Fato MG. A coordenadora da ocupação contou ainda que o acesso à energia elétrica na comunidade é extremamente precário, com postes improvisados. "É importante frisar que queremos pagar [as contas de] luz e água. Mas, o Estado não quer ligar. Falta vontade política. Corre o risco de ter mais óbito na comunidade por causa da precariedade”, explicou.