
A tentativa do governo de Minas Gerais de pactuar um acordo às escondidas com a mineradora Vale sofreu mais uma derrota nesta terça-feira. A segunda audiência, que trata sobre a compensação que deve ser paga pela mineradora ao estado por causa do crime na Bacia do Paraopeba, foi marcada por inúmeros protestos. Ao longo de todo o dia, cerca de mil atingidos acompanharam o julgamento do lado de fora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Desde o início dos trâmites as famílias lutam para conseguir participar da decisão. No entanto, até esta terça-feira, os atingidos só conseguiram acompanhar os debates do lado de fora do TJ. Movimentos e parlamentares denunciam que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, está prestes a aceitar apenas metade do valor que deveria ser pago pela empresa. O MAB, Movimento dos Atingidos por Barragens, explica que o valor estimado pela Fundação João Pinheiro para os valores de reparação ao Estado estavam em R$ 26 bilhões e dos danos morais e sociais coletivos em 28 bilhões, totalizando R$ 54 bilhões. Porém, Zema quer fechar o acordo por R$ 22 bilhões, valor equivalente a menos de 5 meses de lucro da mineradora no último período. Para Santiago Matos, da coordenação estadual do MAB, a organização dos atingidos foi um fator decisivo para frear o acordo entre a Vale e Romeu Zema.