
Os hospitais de Belo Horizonte passaram, nas últimas três semanas, pelos momentos mais dramáticos da pandemia de covid-19. A cidade chegou a contabilizar 224 pacientes esperando por um leito de CTI. Situação que levou os profissionais de saúde das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) a usarem o que fosse possível para salvar vidas de pessoas infectadas pelo coronavírus e demais pacientes. Bruno Pedralva, que é médico da família e diretor do Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte (Sindibel), nos relatou a angústia. “Os profissionais de saúde passaram cenas de horror. Nós tivemos pacientes que faleceram na fila esperando 5, 7 e até 10 dias por um leito de CTI”, relembra. Após a última imposição municipal de lockdown, a capital mineira sente uma diminuição da taxa de transmissão, e começam as pressões para a reabertura do comércio. A opinião do médico é que, definitivamente, os hospitais não podem passar por mais um cenário de “guerra”. “Reabrir a cidade com fila de pessoas para acessar CTI é um absurdo. Os dados que nós temos é que segunda-feira [12 de abril] nós ainda tínhamos 44 pessoas na fila”, argumenta. Na sua avaliação, a reabertura não deveria acontecer enquanto a ocupação dos leitos de CTI for tão alta e a porcentagem de vacinação tão baixa.