
Repórter Wallace Oliveira Em mais uma tentativa de reverter a diminuição gradativa de veículos de tração animal e humana em Belo Horizonte, os carroceiros e carroceiras lançaram uma carta diretamente ao prefeito da cidade. O documento, assinado pela Associação dos Carroceiros e Carroceiras Unidos/as de BH e Região Metropolitana e mais 30 entidades, pede o veto total da lei aprovada pelos vereadores em dezembro de 2020. “Primeiro, é um projeto autoritário, pois não ouviu os/as carroceiros/as e não teve participação popular. Sustentado no argumento de que o modo de vida carroceiro é baseado em maus tratos e na escravidão animal, o PL visa substituir os cavalos por motos adaptadas. No entanto, embora haja situações de maus tratos, também repudiadas com veemência pelos próprios carroceiros/as, elas correspondem a minoria dos casos”, escrevem os carroceiros. Para eles, o Projeto de Lei é uma tentativa de criminalizar o modo de vida carroceiro, “resultado de uma postura colonialista, racista, etnocêntrica e higienista que busca impor sobre toda a sociedade uma única forma de se viver as relações entre humanos e animais. Caso semelhante ocorreu recentemente quando se tentou proibir o abate religioso de animais pelos povos tradicionais de matriz africana”. Em troca, mais parcerias com poder público A carta reivindica ainda projetos e fiscalizações entre órgãos públicos e a classe carroceira. Como o cadastramento de carroceiros e de animais, a regulamentação da profissão, atendimento veterinário, a melhoria da infraestrutura das Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes e projetos sociais, como alfabetização dos trabalhadores e estímulo ao cooperativismo.