
O sotaque carregado, a pose de “bom moço” e a postura pacata são estratégias bem utilizadas pelo candidato à reeleição Romeu Zema (Novo) para conquistar seu eleitorado, sobretudo no interior de Minas, onde o governador mantém vantagem sobre seu adversário Alexandre Kalil (PSD). Essa é a avaliação do professor de ciências políticas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Ranulfo. Para o especialista, o principal trunfo de Zema, além da vantagem de já ser governador, é que o político conseguiu emplacar entre os eleitores mineiros o discurso de que “arrumou a casa”. No entanto, para o professor, na prática, não foi bem assim. “O Estado está mais endividado do que quando Zema foi eleito. Ele acertou a folha de pagamento e de transferência aos municípios, mas a dívida do Estado aumentou. Zema não é um bom administrador, mas isso não é perceptível, não aparece na campanha”, afirma o especialista. Ranulfo avalia ainda que a apatia em momentos decisivos do governo, como o silêncio de Zema diante das vítimas das enchentes do início deste ano, trouxe benefícios políticos ao gestor. Segundo ele, os confrontos diretos do governador com a população mineira aconteceram com os moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), como os dos municípios de Betim e Contagem, que serão diretamente impactados pelo projeto do Rodoanel, e da capital, onde Zema batalha para liberar a mineração na Serra do Curral.