
Após seis meses de investigação, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da BHTrans da Câmara Municipal de Belo Horizonte entregou seu relatório final no último dia 8. O documento contém mais de 400 páginas e pede o indiciamento de 39 pessoas, entre elas os principais empresários do transporte da cidade e o prefeito Alexandre Kalil (PSD). Os crimes listados pela comissão envolvem peculato, prevaricação e condescendência criminosa, formação de cartel, associação criminosa, apropriação indébita, entre outros. Ao longo das 35 reuniões de trabalho, a comissão enfrentou inúmeras dificuldades para investigar o caso. Para se ter uma ideia, cerca de 30 páginas do contrato alvo das investigações, que cede às concessionárias de transporte o direito de prestar o serviço na capital, desapareceram. Nas apurações, os sete vereadores que acompanharam a CPI verificaram irregularidades, como o não pagamento de seguros obrigatórios por parte dos empresários, a retirada irregular dos cobradores, o saque, também irregular, de valores do fundo garantidor do contrato e a não realização de auditoria em 2016, como previa o contrato. Para comentar as denúncias, o Brasil de Fato MG conversou com a vereadora Bella Gonçalves (Psol), uma das integrantes da CPI. Na entrevista, ela destaca os pontos principais sobre o caso, comenta sua discordância sobre o indiciamento de Kalil e aponta quais os próximos passos na luta pelo transporte público na capital.