
Repórter Larissa Costa Em meio à corrida pela produção e distribuição da vacina em todo mundo, uma questão vem à tona: por que a Fundação Ezequiel Dias (Funed), vinculada ao SUS e pertencente ao Estado de Minas Gerais, não produz a vacina? Para a médica Ana Maria Teixeira, que trabalha no Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie), ligado à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a Funed tem capacidade científica e profissional para isso, mas faltam direcionamento e incentivo do governo estadual. “Não tem interesse político, ou é por desconhecimento do governo da importância da Funed neste cenário de pandemia. A Funed sempre foi importante, mas nos últimos anos ela está sendo sucateada. Mesmo assim, a Funed tem um parque tecnológico e um grupo de pessoas altamente capazes de assumir esse compromisso de desenvolver uma vacina junto com o Butantan e com a Fiocruz”, aponta. Na mesma linha de pensamento, o vice-presidente do Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais, Ederson Alves da Silva, analisa que o governo estadual, no início da pandemia, seguiu a lógica de Jair Bolsonaro, negando a ciência, não adotando medidas mais rigorosas de prevenção ao coronavírus e atacando as instituições públicas. “Zema poderia ter valorizado a Funed. Temos expertise, temos excelentes profissionais no SUS [Sistema único de Saúde], inclusive o Butantan pertence ao SUS. Se Minas Gerais tivesse um governador que investisse e incentivasse a produção da vacina, aqui poderia ter produção para a população”, lamenta.