
Trabalhadoras da educação ouvidas pelo Brasil de Fato MG relataram enorme indignação com a decisão, tanto da Justiça quanto do governo estadual. “É no mínimo preocupante”, relatou Michelle Gonçalves Rosa, que leciona na Escola Estadual Prefeito Joaquim Pedro e na Escola Estadual Labor Club, em Governador Valadares. “A gente não tem um cenário de retorno seguro. Nós não paramos de trabalhar, ao contrário, estamos trabalhando muito mais no regime não presencial. Pode perguntar a qualquer professora, estar presencialmente seria nosso desejo maior, mas agora isso não cabe”, avaliou Michelle. Talita Silva, professora de ciências também em Governador Valadares, classificou como “insanidade” o retorno neste momento. “Fico preocupada com a estrutura das escolas, que não existe, e a falta de disciplina das pessoas. Como vamos lidar com as notícias de morte dos trabalhadores da educação?”, questiona. “Deveríamos agilizar a vacinação e assim ter um retorno seguro para todo mundo”. Também indignada, a coordenadora geral do Sind-UTE/MG, Denise Romano, avaliou que a decisão trará às escolas uma ampla disseminação do coronavírus. Atualmente, segundo Denise, Minas Gerais possui 200 mil trabalhadores na rede estadual de ensino e atende a 1,5 milhão de estudantes. “O Estado de Minas mal começou o processo de vacinação, a vacina não chegou aos 853 municípios, o Estado está devendo a segunda dose a uma infinidade de mineiros. E não leva em consideração que hoje, dia 10 de junho, nós tivemos 319 óbitos em Minas Gerais”, denunciou a coordenadora.