
Na edição desta quinta-feira (2 de abril) do podcast Os Novos Cientistas, o jornalista Antonio Carlos Quinto recebeu a pesquisadora Marina de Freitas Teles Zaccarelli Noguti. Ela é autora de um estudo de mestrado que analisou a segurança de compostos orgânicos em iniciativas comunitárias de compostagem, na região metropolitana de São Paulo. Para o estudo Compostagem comunitária na grande São Paulo: uma solução para resíduos sólidos urbanos orgânicos, Marina selecionou 15 grupos pela plataforma Sampa + Rural e a rede Composteiras Comunitárias, ambas da Prefeitura de São Paulo. A pesquisa foi apresentada na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP sob a orientação da professora Renata Colombo. "O lixo que a gente gera em casa, como cascas de frutas, pó de café, tudo que é natural, tudo que é orgânico, passando por esse processo de decomposição, é transformado em adubo", explicou a pesquisadora que analisou os trabalhos dos grupos envolvidos semanalmente. Segundo ela, no processo de compostagem é necessário que se tenha um equipamento chamado composteira. "Foi ai que investigamos se estava tudo sendo feito de maneira correta", como contou Marina. De acordo com ela, o sistema se mostra vantajoso em vários aspectos, pois gera um adubo de boa qualidade, tanto sólido quanto líquido. "É possível se obter um produto que tem valor comercial e que pode chegar ao mercado custando algo em torno de R$ 20,00 o quilo. É o chamado composto orgânico", explicou Marina. A pesquisadora contou que, desde 2017, vêm surgindo cada vez mais iniciativas em vários bairros diferentes e a própria rede de articulação desses movimentos, são a base para novas iniciativas. Na sua pesquisa, Marina aplicou um questionário semiestruturado para mapear os procedimentos de compostagem e coletaram-se amostras para análises laboratoriais do composto. De acordo com a pesquisadora, os melhores resultados foram atingidos pelos grupos que atendiam de maneira mais completa as recomendações ambientais, como não inserir resíduos de origem animal e oleosos na composteira, medidas de isolamento e controle de temperatura, entre outras. Os resultados, de acordo com Marina, dão suporte à prática da compostagem comunitária, e recomenda-se pesquisas futuras para que os grupos possam monitorar a segurança e a qualidade do húmus produzido. Disponível também na plataforma Spotify