
Live realizada no perfil @tdc.sorocaba. As palavras do livro do Gênesis Não é conveniente que o homem esteja sói são quase um prelúdio da narrativa da criação da mulher. Com esta narrativa, o sentimento da solidão original entra a fazer parte do significado da unidade original, cujo ponto-chave parecem ser precisamente as palavras de Gênesis 2, 24, a que se refere Cristo na sua conversa com os fariseus: O homem deixará o pai e a mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carneii. Se Cristo, referindo-se ao “princípio”, cita estas palavras, convém-nos precisar o significado dessa unidade original, que mergulha as raízes no fato da criação do homem como macho e fêmea. A narrativa do capítulo primeiro do Gênesis não conhece o problema da solidão original do homem: o homem, de fato, desde o princípio, é “macho e fêmea”. O texto javista do capítulo segundo, pelo contrário, autoriza-nos em certo modo a pensar primeiramente apenas no homem, na medida em que, mediante o corpo, ele pertence ao mundo visível, mas ultrapassando-o; depois, faz-nos pensar no mesmo homem, mas através da duplicidade do sexo. Corporeidade e sexualidade não são simplesmente idênticos. Embora o corpo humano, na sua constituição normal, traga em si os sinais do sexo e seja, por sua natureza, masculino ou feminino, todavia o fato de o homem ser “corpo” pertence à estrutura do sujeito pessoal mais profundamente que o fato de ele ser na sua constituição somática também macho ou fêmea. Por isso, o significado da solidão original, que pode referir-se simplesmente ao “homem”, é substancialmente anterior ao significado da unidade original; esta última, de fato, baseia-se na masculinidade e na feminilidade, quase como sobre duas diferentes “encarnações”, isto é, sobre dois modos de “ser corpo” do mesmo ser humano, criado à imagem de Deusiii.