
Uma personagem pouco conhecida do período neerlandês, a indígena Clara Camarão foi esposa do líder tupi Felipe Camarão. Apesar de sua atuação no conflito não ser evidenciada em documentos oficiais, é provável que a mesma tenha atuado juntamente a seu esposo nos conflitos entre neerlandeses e restauradores. Segundo Fagundes: --- "A índia Clara Camarão não poderia ser esquecida, apesar de as fontes pesquisadas terem sido pouco reveladoras sobre a sua participação. Segundo alguns verbetes e livros, esta índia nasceu no Rio Grande do Norte, mas viveu na capitania de Pernambuco. Índia potiguar e batizada no cristianismo, decerto recebeu o nome “Clara” no momento do sacramento. Já o sobrenome se deve ao seu casamento com o chefe da tribo Poti, batizado como Antônio Felipe, adotando Clara, a partir disso, o sobrenome Camarão – tradução exata do nome Poti. O cronista Diogo Lopes de Santiago cita a participação de Clara Camarão nas guerras holandesas, no seu livro Desagravos do Brasil e Glórias de Pernambuco. É interessante percebemos que o cronista utiliza o pronome de tratamento “Dona”, estendendo a mercê do marido à esposa, como podemos comprovar nesta passagem: "Partiu, pois, Camarão, e não somente levou a todos os índios de sua esquadra, senão que também levou em um cavalo, como uma lança na mão, a sua mulher, Dona Clara." De acordo com o historiador Gonsalves de Mello, não podemos concluir, baseando-nos nessa informação, que a índia potiguar tenha de fato lutado nas guerras holandesas. Entretanto não podemos ignorar a hipótese de ter delas participado. Decerto é que houve participação de mulheres nas guerras luso-flamengas: basta lembrarmos das heroínas de Tejucupapo, fato que até hoje faz parte do imaginário da população deste distrito de Goiana, em Pernambuco." (P.13-4) --- FAGUNDES, Igor Pereira. A história do Índio Felipe (Poti) Camarão. Dissertação (Mestrado Profissional) em História, Universidade Federal Fluminense, 2016.