
Pílula de cultura digital para começarmos bem a semana 😊 Como tornar interessante uma história que todos conhecemos e que nos afeta diariamente? O filme “O Outro Lado das Redes”, que estreou nos cinemas na quinta passada (22), consegue essa façanha, explicando didaticamente como as redes sociais manipulam bilhões de pessoas. Inspirada em fatos reais, a produção dramatiza como a engenheira Frances Haugen, que trabalhava na equipe de Integridade Cívica do Facebook, revelou documentos internos da empresa ao jornalista Jeff Horwitz, que os transformou em uma série de reportagens no “The Wall Street Journal”, batizada de “Facebook Files”. Elas revelaram o que acontece quando uma plataforma que promete conectar pessoas descobre que conteúdos capazes de provocar indignação, medo e conflito geram muito engajamento e passa a incentivar isso ativamente. Haugen, que adorava seu trabalho e acreditava no discurso oficial da empresa (que passou a se chamar Meta após o escândalo), tomou essa decisão ao observar, empiricamente e com dados da companhia, como o serviço desinformava e radicalizava seus usuários. Neste episódio, contarei partes da história, mas não tenho medo de “dar spoilers”, pois tudo é amplamente conhecido e documentado. É como assistir a “Titanic” sabendo que o transatlântico afundará no final. A diferença é que, neste caso, estamos nos debatendo o tempo todo dentro do barco condenado, enquanto a banda continua tocando. Por isso, o mais interessante do filme não é demonstrar que o Facebook nos faz mal, mas explicar como seu funcionamento favorece esses danos. Ao transformar uma discussão técnica em um conflito sobre responsabilidade empresarial, a obra deixa claro que, pior que as publicações nocivas na plataforma, as decisões sobre como distribuí-las e os incentivos comerciais por trás disso podem ampliar seu alcance. Você acha que dá para escapar da manipulação dos produtos da Meta? O que devemos fazer para minimizar isso? É disso que falo aqui.