
Apocaligrafo. João Carlos Monteiro Moreira. Capítulo 2. Rádio Histórias. Embusteiro. Sem querer querendo, quiseste enganar. Na verdade mentindo ficaste a pensar. Tua mão jogaste fingindo agarrar. Desamparado caí, nem quiseste teimar. Ousaste saber os segredos da gente. A verdade disfarças o engano desmente. Nos reveses da vida tão pouco medito. Eu sei que não sei e por isso acredito. Saúdas o crente que mal não infere. Pensas por ele e ele nem se apercebe. A semente plantada o fruto dará. Daninha a erva o consumirá. Caminhas à chuva, disfarças o choro. Prantos uivados te pedem namoro. Sabes que tens mas tomas do outro. Tamanho desplante tão fraco decoro. Levantas alertas instauras o medo. Persegues infantes, atormentas o velho. No campo dos fracos disputas os pontos. Dos fortes tu foges, parecem leprosos. Bandeiras, cores, praças, nações. Umbigo do mundo agora e depois. O degredo do verbo adultera razões. A crença do casto é o pasto dos bois. Que triste te sentes, na tua condição. Teu ego não dorme nem pede perdão. Bem sei que tu sabes, que sabes que eu sei. Fingimos os dois o embuste é o rei!. Se tua intenção não foi enganar?. Por que raio o fazes? Não te pois no lugar?. Um dia eu me canso, a fé em ti cairá. Não me peças desculpas, pois perdão não há!.