
Apocalígrafo. João Carlos Monteiro Moreira. Capítulo 11. FUTEBOL, RELIGIÃO E POLÍTICA. DemoCracia Recordo lá longe, um "pinto sem crista". Domingos alegres, com mais do que missa. Banho tomado, roupa de festa. Menos gente na fila, na hora da sesta. Pela mão me levava meu pai. Mais cedo, já fora a minha mãe. Entrava com ele na sala solene. Senhores de fato, gravatas terylene. Esquerda ou direita, já estava pensado. Na mesma da hora pode sair errado. Mas se bem ponderares a direção tomar. Seguir em frente, é que te faz avançar! Cabines de lata, canetas de prata. Dobrado o bilhete, feito o manifesto. A tinta que escreve não sabe ao que vai. Escolhe primos, cunhados, filhos e pai. Urnas que pás não sentem e terra não vêm. Ranhura apertada no dia escolhido. Repartes mesuras à boca do esquife. Dás vida às vidas dos que distinguiste. Memórias longínquas, estas que escrevo. Se fazem verdade, de tempos a tempos. Antes garoto sem nada saber. Agora adulto já posso eleger! Soubesse o que sei e ali nem parava. Parentes na lama, cantiga roubada. Nos fazem crer em tamanho poder. De te comandar, quem eu escolher. Cada Homem se cumpre a cada dia nascido. Seu trabalho, seu fruto, é ouro produzido. Se por grande azar, tudo à volta ruir. Já o soubeste fazer, volta a construir! Quem se sabe governar, não precisa quem o governe!