
Apocaligrafo. João Carlos Monteiro Moreira. Capítulo 5. O MEDO COMO INSTRUMENTO POLÍTICO. Pacto do Medo. Vamos viver assim, mesmo sem querer. De dia te fujo à noite me entrego. Num leito de fogo não durmo sereno. Degolas sem dó o borrego pequeno. Fico sem chão quando ouço teus passos. Palhaços sem circo e homens dos sacos. De olhos cerrados adio o confronto. Verdascas de cinto laceram meu tronco. Lacaio dos meus secretos caprichos. A laivos de sangue alimento meus bichos. Reprimo vontades há muito lembradas. Anseio que venhas a horas erradas. Tua esfinge prostrada diante de mim. Patranhas de engodo e eu digo que sim. De esguelha, soslaio, mirada fingida. Sacio meus olhos na tara perdida. Em silêncio carrego minha maldição. Receios fecundos suplicam perdão. Encerras em mim o bem e mal. O desejo e a repulsa num jarro floral. Premissa voltada, verdade tombada. Cordato tratado de breu postulado. Ferreos grilhões fundeiam meu Ser. Desejo-me vago antes de morrer. Funesto vulto que deixei crescer. Vergonha no olhar incumbe esconder. Meu maná, meu manjar, sustento, comer. E agora sem ti, já não consigo viver!.