
Quem tem os costume de frequentar os bares e baladas de Salvador não acha nem um pouco esquisito o uso dos cigarros eletrônicos nesses espaços. Modernos e com a grande vantagem de não emitirem um odor desagradável, esse produto chegou com força há alguns anos na capital baiana. Mas após o período da pandemia, uma revelação nada agradável evidencia que o dispositivo tem atingido pessoas cada vez mais jovens. Nas últimas semanas, circularam nos portais de notícias que estudantes de escolas de Salvador estavam utilizando cigarros eletrônicos dentro das dependências das escolas, o que preocupou pais e professores. Escolas emitiram comunicados alertando para os perigos do uso desses produtos em excesso. Mas afinal, o que atrai os jovens a utilizarem um cigarro eletrônico, mesmo que esse adolescente nunca tenha sequer experimentado um cigarro convencional? O que torna esses produtos acessíveis a esse público? É sobre isso que o 44º episódio do O Que a Bahia Quer Saber vai discutir nesta semana. O episódio recebe a pneumologista Suzianne Lima, a psicóloga e terapeuta cognitiva comportamental, Priscila Pardo, e Alexandro Hazard Lucian. Hazard é um dos principais nomes do país quando se trata de cigarros eletrônicos. Usuário há seis anos, ele abandonou o cigarro convencional após quase duas décadas e afirma que o dispositivo eletrônico salvou sua vida. Desde então, ele atua como estudioso do assunto e escreve sobre a Redução de Danos do Tabagismo (RDT). O conceito trata os cigarros eletrônicos como um meio de amenizar e reduzir a dependência de nicotina em usuários do cigarro convencional. Apesar do método ser apoiado por parte dos médicos, não é uma unanimidade e é bastante questionado. Alexandro também luta pela regularização dos cigarros eletrônicos - até então ilegais - como forma de conscientizar seu uso e evitar a comercialização para o público jovem. Aliás, importante informar que o cigarro eletrônico não leva apenas esse nome. Vaper, pod, mod... todas essas são variações do cigarro eletrônico e, apesarem de terem algumas diferenças, funcionam da mesma forma. Assim como uma resistência de chuveiro elétrico, o cigarro eletrônico tem uma bateria que gera energia e esquenta um líquido saborizado. A mistura vaporiza e forma a fumaça branca e densa vista saindo da boca e nariz dos usuários. Entre as diferenças, importante ressaltar que esse líquido, tecnicamente chamado de 'juice', pode conter diferentes níveis de nicotina, substância que está presente em abundância no cigarro convencional. No caso do vaper, que são os aparelhos maiores, alguns até com uma tela que marca a temperatura, quantidade do líquido, por exemplo, geralmente tem juices com menos nicotina, mas eles geram muito mais fumaça. Já os pods, que são bem pequenos, alguns simulam até o formato do cigarro convencional, eles até fazem menos fumaça, mas se tornam mais nocivos já que contém uma nicotina bem mais concentrada que os outros produtos. O podcast tem produção, narração e edição de Vinícius Harfush.