![DOIS PERDIDOS NUMA TELA SUJA - A MODELO E O FOTÓGRAFO [FILME] (2020) - 03](https://d3t3ozftmdmh3i.cloudfront.net/staging/podcast_uploaded_nologo/20768672/20768672-1734475062170-60e0e62aae2d8.jpg)
Acompanhamos um fotógrafo chamado KAI (Hideki Nagai), que herdou sua loja de seu pai. Ele passa seus dias tirando fotos e as alterando de maneira computadorizada para seus clientes. Em verdade são dois, um idoso que não tem nome (Toshiaki Inomata) e uma mulher também sem nome (Toki Koinuma). Ambos aparecem na produção como se correspondessem a representações dos anseios públicos em relação às fotografias. Ao não terem nomes, mas conhecerem pessoalmente Kai vemos que em verdade ter conhecimento pessoal de uma pessoa que lida com sua imagem pública, não quer dizer necessariamente ter intimidade. OS DESEJOS DE AMBOS OS CLIENTES É SEREM ALGO QUE NÃO SÃO: KAI CONHECE DE MANEIRA INDIFERENTE SEUS MAIS PROFUNDOS DESEJOS QUE SÃO MOSTRADOS A TODO PÚBLICO DA INTERNET. A mulher sem nome procura criar versões dela mesma para aplicativos de relacionamento afirmando, talvez no melhor diálogo do filme inteiro, que mesmo que seu possível interesse amoroso digital consiga perceber que ela não é igual a foto que Kai manipula, talvez o desejo que ela o seja, possa ser o suficiente para que ele acredite nisso e passe a ver a ilusão que ela e Kai criaram. E NÃO É ISSO QUE FAZEMOS SEMPRE EM NOSSOS PRIMEIROS ENCONTROS, MESMO OS REAIS: CRIAR UMA ILUSÃO DE UM VIR-A-SER QUE NÃO NUNCA FOI? Esse filme é sobre isso. "Precarity" bY Apoxode, Javolenus CC BY-NC 3.0 Deed Attribution-NonCommercial 3.0 Unported