
Dar à luz a um bebê saudável não é suficiente. O que acontece na cena do parto também importa. Afinal, o que está em jogo quando uma mulher dá à luz na nossa cultura? Bel pariu longe de casa, em um país estrangeiro. Seu parto foi marcado por medo, desamparo e silêncio. A médica não esperou a anestesia fazer efeito completo antes de iniciar a cesárea. Bel sentiu tudo. Avisou a equipe médica, mas foi ignorada. E as violências continuaram. O que fazer depois disso? Como falar sobre o que aconteceu? Para quem contar um trauma como esse? Bel teve coragem de enfrentar a médica e denunciar um sistema que maltrata mulheres justamente no momento em que estão prestes a se tornar mães. Com ela, falamos sobre o desejo de ser mãe que só chegou aos seis meses de gestação. Sobre o respeito devido às mulheres que parem. E, como aponta Vera Iaconelli, sobre a importância da cena do parto. Essa cena importa porque ali nasce mais de uma pessoa. Mas também porque a forma como uma mulher é tratada atravessa o vínculo com seu bebê, com seu corpo e com sua história. O parto não é apenas biológico. É também psíquico, social e simbólico. Obrigada, Bel, por compartilhar a sua história. A sua revolta é nossa. ⚠️ Aviso de conteúdo sensível: este episódio aborda violência obstétrica e estresse pós-traumático.