
O otimismo é um péssimo conselheiro em momentos de crise. Quase sempre atua para amenizar o sofrimento em nome de um dia que virá, em breve, recuperar o tempo perdido. Dá para entender que esse mecanismo funcione para diminuir a pressão psicológica e tornar o ambiente mais respirável. Mas é preciso cuidado. As boas notícias não consagram a esperança, apenas adiam a necessidade de reagir. A situação brasileira – política, econômica e sanitária – nunca esteve tão ruim. E vai piorar, pelos elementos que temos em mãos: ascensão irresistível do Centrão; desemprego estrutural (ou a irrefreável uberização das atividades econômicas sem direitos) e o fim do auxílio emergencial; e recordes em cima de recordes de doentes e mortos pela covid-19. No entanto, a imprensa burguesa e alguns setores preferem mudar o foco e partir para dois tipos de boas notícias. De um lado a consagração da ciência, de outro, as derrotas episódicas do aparelho fascista.