
Bolsonaro, toda vez que é chamado a se manifestar sobre a pandemia, só enxerga a eleição de 2022. Lula, convocado a falar de sua elegibilidade em razão da decisão do STF, fez questão de trazer para o primeiro plano a dramática situação de perdas humanas no país. Essa não é uma diferença banal, é um dado de civilização. De um lado um homem que não respeita a ciência, o sentimento humano e a democracia. De outro, a empatia, a defesa da política e da razão. Lula começou seu discurso no Sindicato dos Metalúrgicos com máscara, cercado de pessoas com máscaras. Bolsonaro, sempre ao lado de bajuladores sem máscara, tem insistido em não utilizar o equipamento, além de alardear irresponsavelmente a sua ineficácia. A primeira menção de Lula foi de solidariedade às famílias dos mortos. Bolsonaro abre sempre suas mensagens com o descaso pelas perdas humanas, com afirmações entre cruéis e jocosas. De um lado a primazia da sensibilidade e do conhecimento. Do outro, ignorância e maledicência.