
Nesta meditação de Páscoa, somos convidados a contemplar o chamado de Cristo a despir o homem velho para revestir-nos do homem novo. A Ressurreição não é apenas um fato do passado, mas um caminho interior: Deus nos conduz por um processo de despojamento, no qual caem as falsas seguranças, as máscaras e as “folhas de figueira” com que tentamos esconder nossa fragilidade. À luz da Escritura, vemos que esse desnudamento não é humilhação estéril, mas preparação para a graça. Como o povo curado ao olhar para a serpente de bronze, somos chamados a encarar o próprio pecado com humildade; como Gideão e seus trezentos homens, aprendemos que a vitória vem quando nos tornamos pequenos e despojados; como no mistério pascal, só quem morre com Cristo pode ressuscitar com Ele. A Páscoa revela que Deus não apenas tira, mas reveste: Ele nos chama a abandonar o homem velho marcado pelo medo, pela autossuficiência e pelo apego, para receber as vestes brancas do homem novo — vida na graça, transparência diante de Deus e liberdade interior. Assim, a Ressurreição torna-se concreta: um convite a viver já agora como homens renovados, revestidos de Cristo, na luz da vida nova. ___________ ✝️ Referências bíblicas: “Despojai-vos do homem velho… revesti-vos do homem novo.” (Ef 4, 22-24) “Despistes o homem velho… e vos revestistes do novo.” (Cl 3, 9-10) A serpente de bronze elevada no deserto. (Jo 3, 14–15) O olhar que cura. (Nm 21, 8-9) Gideão e os trezentos. (Jz 7, 2; 8, 10) As folhas de figueira e as vestes dadas por Deus. (Gn 3, 7-21) Vestes lavadas no sangue do Cordeiro. (Ap 7, 14) Morrer com Cristo para viver vida nova. (Rm 6, 4) 📚 Outros livros citados: As quatro centúrias sobre a caridade, S. Máximo confessor Guerra & Paz, Liev Tolstói O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde 📜 Sobre os 4 sentidos das Sagradas Escrituras:"Littera gesta docet, quid credas allegoria, moralis quid agas, quo tendas anagogia".