
O poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade escreveu uma “Toada do Amor”. “E o amor sempre nessa toada: briga perdoa perdoa briga. Não se deve xingar a vida, a gente vive, depois esquece. Só o amor volta para brigar, para perdoar, amor cachorro bandido trem. Mas, se não fosse ele, também que graça que a vida tinha? Mariquita, dá cá o pito, no teu pito está o infinito.” Aqui, Drummond é claro ao dizer que “Não se deve xingar a vida.” Concordo que a vida é para ser agradecida e não insultada, mas às vezes um xingamento dá vazão à toda a revolta que temos dentro de nós. Do quimbundo xinga, xingar é o verbo para expressar raiva, frustração ou desaprovação em relação a algo ou alguém. Em português, existem palavras como insultar e ofender, mas a palavra xingar costuma ser bem mais usual para indicar que alguém usa palavras rudes ou vulgares, como os palavrões, para agredir verbalmente outra pessoa. A quantidade de xingamentos é infinita porque o ato de xingar é bastante criativo: na raiva, a gente sempre se permite inventar novas formas de ofender os outros. Apesar disso, xingar pode causar danos emocionais e psicológicos à pessoa que ouve o xingamento, o que gera conflitos e prejudica relacionamentos interpessoais. Em vez de recorrer ao xingamento, é importante buscar formas mais construtivas de lidar com situações difíceis. Uma comunicação assertiva, respeitosa e livre de agressões é a melhor maneira de resolver conflitos e manter relacionamentos saudáveis.