
Esse texto fundamental trata da identidade de Jesus Cristo, da Sua natureza e caráter. A primeira pergunta, no v 13 ("Quem diz o povo ser o Filho do homem?") parece refletir uma preocupação de Jesus com a opinião das pessoas em geral. Várias passagens dos Evangelhos registram que Jesus era frequentemente acompanhado por "muitas multidões" (Mt 5.1; 15;30; 19.1,2) que acorriam a ele para ouvirem seus ensinamentos, serem curadas ou testemunhar seus sinais, como no milagre da multiplicação dos pães (Mc 6.34-44). Mas é muito importante notar que a pergunta é dirigida a seus discípulos. Jesus precisava prepará-los para os eventos que, iriam ocorrer em Jerusalém, incluindo Seu sofrimento, morte e ressurreição (Mt 16.21). Assim como Jesus carregaria Sua cruz (para cumprimento de Sua missão) os discípulos deveriam também estar dispostos a "tomar a cruz" do discipulado e da missão que Jesus colocaria sobre seus ombros (Mt 16.24). Para isso os discípulos precisariam ter firme convicção de quem era Jesus, ou seja, a certeza de que Jesus era, de fato, quem dizia ser: o Filho Unigênito de Deus (Mt 3.17). Na resposta dos discípulos (v. 14) podemos extrair alguns ensinamentos interessantes, pois o povo via em Jesus semelhanças com alguns profetas do passado (Elias e Jeremias) e também com um, seu contemporâneo (João Batista). A semelhança com este é inevitável e notória pois João Batista era uma voz clamando no deserto, para preparar o caminho para Jesus (Is 40.3). João Batista pregava o "batismo de arrependimento" (Lc 3.3) e a iminência do Reino de Deus (Mt 3.2). Quando Jesus inicia seu ministério, João Batista se retira, sabendo que sua missão estava cumprida (Jo 3.30). Jesus também pregava o arrependimento como condição para entrar no Reino de Deus (Mt 4.17). Se João Batista estava nos umbrais da porta do Reino, Jesus era a própria porta, a entrada para o Reino. Outros comparavam Jesus ao profeta Elias, "o perturbador de Israel" (1 Reis 18.17-18). Elias era um homem de oração e ação, de ousadia, coragem e demonstração do Poder de Deus. O mesmo poder-se-ia dizer de Jesus. Mas Elias era apenas humano, falível, sujeito à fraquezas e paixões (Tiago 5.17). E também havia semelhanças com Jeremias, um profeta sensível e sofredor. A compaixão de Jeremias é uma das características de Jesus Cristo (Mt 9.36). Mas, na segunda pergunta (v. 15) Jesus se dirige diretamente a seus discípulos: "Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? " Após um provável momento de silêncio Pedro tomou a iniciativa e respondeu, fazendo uma confissão extremamente relevante e vital para os propósitos de Jesus em relação aos discípulos. Pedro respondeu: "...Tu és o Cristo, o filho do Deus vivo" (v. 16). Esta confissão de Pedro ocorreu quando muitos estavam contra Jesus (os líderes da nação, escribas, sacerdotes, fariseus). E qual é a nossa posição, a nossa confissão, a nossa convicção (1 Pe 3.15-16 )? A confissão de Pedro só foi possível por revelação divina (tu és o Messias, o Ungido de Deus - Is 11.1,2). E a resposta de Jesus é muito mais que um elogio a Pedro. Jesus destaca a importância de se ter uma revelação pessoal, um conhecimento pessoal a cerca de Sua pessoa e missão (v. 17). Pedro é chamado de "Bem-aventurado" (MAKARIUS), ou seja, feliz. Jesus também chama Pedro de "Pedra" (PETRUS) e revela Seus planos em relação à igreja: “TU ÉS PEDRO” (uma pequena pedra, um fragmento de pedra) e “SOBRE ESTA PEDRA” (PETRA = rocha, rochedo, penhasco, ou seja, uma estrutura sólida, firme, inabalável) EDIFICAREI A MINHA IGREJA (EKKLESIA). Ou seja, sobre esta revelação, a igreja seria edificada. E AS PORTAS DO INFERNO NÃO PREVALECERÃO CONTRA ELA. Que gloriosa e poderosa revelação! A Igreja pertence a Jesus. O fundamento da igreja é Jesus. O edificador da igreja é Jesus. Os discípulos são as pedras desse edifício. Os poderes do "Império das Trevas" e da morte não dominarão (não obterão vantagem) contra a igreja. JESUS triunfou sobre a MORTE e o INFERNO (Apocalipse 1.18).